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As velhas respostas não resolvem mais os problemas da realidade. Há um evidente descompasso entre a velocidade das transformações com nossa capacidade de enxergar, compreender e navegar no oceano aberto pela tecnologia. Temos, então, que fazer novas perguntas, tentar novas possibilidades, andar sobre desconhecido, reconhecer o erro como uma premissa do acerto para, então, recomeçarmos, diariamente, com a coragem de quem quer vencer e, não, apenas passear pela existência.

Sim, o mundo mudou e ainda mudará exponencialmente.

Estamos vivendo a fase mais lenta da aceleração. Nos próximos anos, o impacto tecnológico fulminará as semânticas binárias, aumentando vertiginosamente a velocidade do raciocínio humano entre variáveis móveis, multidisciplinares e intercambiantes. Assim como a revolução industrial transformou o mundo agrário, a tecnologia nos fará acessar pioneiras dimensões do intangível, forçando uma necessária reinterpretação dos fatos da vida e o correlato surgir de ressignificações com novos prismas de compreensão.

Se toda atividade humana padronizável será substituída pela robotização inteligente – capaz de trabalhar 24 horas por 7 dias da semana, sem adicional noturno ou periculosidade – resta aberto todo um amplo campo de ofícios que fazem do “human touch” o seu grande diferencial. Ou seja, a tecnologia pode muito, mas jamais acabará com a insubstituível pessoalidade das relações humanas.

Há, aqui, uma total ruptura de paradigma: a ideia de perfeição, núcleo indutor da era industrial, é absolutamente antinatural e contrária à inerente falibilidade humana; serviu para um tempo de adestramento, mas opõe-se às incontroláveis lógicas criativas e transformacionais.

Aliás, só dimensões limitadas conseguem ser perfeitas. Logo, a imperfeição é a condição básica do aperfeiçoamento pessoal, é aquilo que nos permite ser mais e melhor, sendo, ao fim e ao cabo, a possibilidade do incessante desenvolvimento de nossa natureza humana.

Por tudo, a tecnologia é um grande projeto de reconstrução do que somos e do que podemos ser. É a possibilidade radical de todo o esplendor da liberdade, embora traga consigo palpáveis riscos de subjugação a instrumentos de inteligência artificial. É o eterno recomeço nas infinitas potencialidades da vida.

No cerrar das cortinas, estamos diante de um novo macrojogo de poder, sujeito a frenéticas regras dinâmicas, com players reais e virtuais, em constante estado de movimento. Mas para onde vamos? Bem, não é possível ainda dizer, sendo certo que a inércia é, por si só, reducionista. Portanto, antes de destinos predeterminados, precisamos aprender a construir caminhos, até aqui impensáveis, que nos permitam andar e progredir. E, assim, passo a passo, faremos surgir o nosso próprio eu, dentro de um contexto que faremos nós.

Créditos da imagem que ilustra este artigo: SIphotography

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Sebastião Ventura

Sebastião Ventura

Advogado, especialista em Direito do Estado pela Universidade Federal do Rio Grande Sul. Ver perfil completo >>

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 Comentários
  • Neusa Galli Fróes disse:

    Ótimo, Sebastião, Texto bom e uma excelente reflexão.Jeito suave de dizer que precisamos treinar muito e com humildade para fazermos parte do que está por vir.
    Um abraço,

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