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O negócio do tráfico não é a droga, mas o vício. O objetivo é aniquilar o pensamento do usuário, tornando-o escravo do desejo incontrolável. Aqui, a festejada teoria da escolha racional afunda, pois a tóxico atua nas perigosas zonas da irracionalidade. É justamente, por isso, que o vício é um mercado tão lucrativo; além de potencializar o desejo de consumo, a droga subjuga a razão pensante, fulminando os limites morais da consciência. E, na relativização viciada do bem e do mal, tudo passa a ser possível na ladeira ao pó…

Sim, senhoras e senhores, o mundo definitivamente mudou. O perigo atual é muito mais sutil, inteligente e persuasivo que bocas de fumo ou papelotes de cocaína. Isso pertence ao passado.

Sem cortinas, o mercado da droga se antecipou e já fez sua transformação digital: vive e atua em cada smartphone, trafegando em velocidade alucinante pelas vias da internet. Ora, é claro que as drogas reais seguirão sendo um refúgio doentio para os dinossauros analógicos. Todavia, a dependência virtual poderá ser absolutamente destruidora à liberdade humana.

Se a humanidade vive um tempo de profundas incertezas, os algoritmos – que governam nossas redes sociais e aplicativos de relacionamento – serão, cada vez mais, perfeitos, exatos e intuitivos. A vontade livre será um sonho em um mundo de escolhas pré-determinadas. Sem sentir, estamos entregando gratuitamente a nossa liberdade para uma custosa subjugação tecnológica.

Aliás, a assimetria da capacidade de armazenamento é simplesmente brutal: se a consciência humana é limitada e sujeita à estafa, a inteligência artificial consegue se retroalimentar, continuamente, por 24 horas nos 7 dias da semana. Ou seja, esse jogo está jogado, o que, felizmente, não significa que o campeonato esteja perdido.

Objetivamente, precisamos acabar com o mercado negro do tráfico de dados pessoais. Chega de contratos eletrônicos leoninos que – despidos de honesta e plena advertência ao consumidor – invadem sua privacidade para sequestrar informações individuais inerentes aos inegociáveis direitos da personalidade. Ato contínuo, mediante milimétricos apelos de marketing de alto poder persuasivo, fragiliza-se a capacidade de escolha pessoal em favor de lucros dirigidos, tornando o usuário um refém de obscuras práticas comerciais subliminares.

O assunto é genética e digitalmente vasto, não se encerrando aqui. No entanto, já há evidências postas: ao invés de cordas no pescoço, o comunismo tecnológico asfixiará a liberdade humana com ondas Wi-Fi, fazendo do vício digital uma forma de escravidão real.

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Sebastião Ventura

Sebastião Ventura

Advogado, especialista em Direito do Estado pela Universidade Federal do Rio Grande Sul. Ver perfil completo >>

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