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Existe uma relação entre linguagem e cosmovisão coletiva. Várias teorias sustentam que uma linguagem contém uma visão do mundo que é um reflexo da cultura e da mentalidade coletiva de um povo ou comunidade linguística.

O determinismo linguístico defende a ideia de que a organização cognitiva é limitada por categorias linguísticas, de modo que a linguagem atua como um filtro de pensamento, determinando nossa maneira de pensar e perceber a realidade.

O relativismo linguístico sustenta que cada idioma contém uma concepção peculiar do mundo (compartilhada por um povo ou comunidade). Como não há delimitações conceituais a priori, cada linguagem teria suas próprias distinções e imagens codificadas da realidade.

O fato de uma linguagem estabelecer um elo entre duas realidades por meio de uma conexão lexical, reflete uma associação conceitual ou cognitiva derivada da experiência ou conhecimento do mundo.

Dada a complexidade e diversidade interna das sociedades e culturas do mundo moderno, as abordagens da antropologia linguística clássica são insuficientes e limitadas, pois partem do pressuposto de que a cultura é um todo homogêneo, essencialista, coletivo e integrador.

O mundo descrito pelas línguas é um mundo percebido e não um mundo metafísico sem um sujeito cognitivo. Embora a configuração da realidade exista independentemente do sujeito, padrões culturais e modelos cognitivos são guiados e determinados pelo paradigma cultural e social.

A realidade ontológica (o mundo externo como é) existe independentemente da nossa mente, mas não pode ser conhecida fora do nosso aparato sensorial e conceitual. Portanto, não pode ser apreendido sem a participação ativa do sujeito. A realidade conhecida é a realidade fenomenológica, isto é, o mundo externo como é percebido.

A realidade ontológica preexiste à observação, e a realidade fenomenológica é criada pelo sujeito observador. Os paradigmas culturais em que um conceito é criado, desempenham um papel fundamental na formação do aparato sensorial e conceitual dos indivíduos, grupos sociais e até nações.

Em um país onde a controvérsia e a violência vendem, a mídia e a política desempenham um papel fundamental na construção de conceitos e relações entre os seres humanos.

O discurso oriundo da classe política de um país, e o modo como a mídia, seja por meio de jornais, televisão, rádio, blogs ou redes sociais, influencia o imaginário social e o aparato sensorial. Geram acumulação conceitual na memória coletiva.

No Brasil, a configuração discursiva dos governos de esquerda e direita, impacta em diferentes áreas – psicológicas, sociais, etc. – e é importante refletir sobre sua importância psicossocial. A violência do discurso político e midiático brasileiro evidencia a necessidade de formular e desenvolver propostas alternativas, pois não só é possível identificar as estratégias retóricas dos grupos que recorrem à violência como estratégia para a solução de conflitos sociopolíticos, também permite a possibilidade de prever o uso da violência e refletir sobre o papel desempenhado pelos diferentes grupos na construção da sociedade.

É importante compreender a importância de formar pensamento crítico e inovação discursiva de impacto sociocultural, o que cause uma alternativa aos discursos vácuos e agressivos – e seus resultados – de agentes públicos irresponsáveis que levam ao sentimento generalizado de insegurança, pânico social e moral.

A retórica se configura como um sistema de construção de discurso onde o emissor, agente ativo, utiliza uma técnica para se expressar adequadamente com a finalidade de alcançar a persuasão do receptor, o agente passivo. A construção conceitual desse discurso transcende o agente ativo, que o precede, e acaba transformando ambos os agentes – ativos e passivos – em prisioneiros, deixando-os sem autonomia ou liberdade elaboração conceitual.

A linguagem como uma comunicação da faculdade humana através de meios linguísticos tem múltiplas manifestações que compõem todo discurso. Existem muitas definições que podem ser encontradas em torno do conceito de poder. No entanto, se algo é claro, é que a linguagem humana é PODER.

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Cris Ljungmann

Cris Ljungmann

Cris é uma apaixonada pelo ser humano, com formação em Antropologia Social e uma forte ênfase nas áreas cultural e social. Incansável viajera pelo mundo, combina seus mais de 15 anos de experiência no ensino desenvolvimento humano, a uma fervente paixão pelo esporte aventura, meditação, arte e vida saudável. Ver perfil completo >>

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