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Pedras rolantes não criam limo

Esta máxima é tão valiosa e importante que gerou o nome de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, uma linda música de Bob Dylan e é usada por muitas pessoas, inclusive por este que vos escreve, para definir uma necessidade permanente de evoluções e mudanças que permitam estar sempre pari passu com o mundo circundante e com o presente-futuro a ser desenvolvido e vivido.

Parece super fácil, lógico e tranquilo né? Mas em geral as pessoas entendem isto bem sempre que é alheio a si, ou seja, aceitam quando é externo à sua realidade, à sua zona de conforto…

Querem uma flor nova num restaurante, uma comida melhor, uma roupa nova, uma tecnologia mais bacana e moderna, etc… Mas, quando vem para a pessoa em si, a sua necessidade de fazer ajustes e se renovar, tudo fica mais difícil, confuso, duro, resistente e ineficiente.

O primeiro diagnóstico de resistência é a agressividade. A este seguem-se a necessidade de fazer pontos, a imposição pessoal, argumentos relativos, a exceção se tornando regra, um erro individual sendo potencializado, a visão pessoal sendo superestimada e a visão dos outros sendo ridicularizada ou subestimada.

O problema com a agressividade, para além das consequências de somatização e da constante dor interna, está no fato de que sempre isto se volta contra a própria pessoa que a pratica.

De fato, quando alguém faz algo a outrem, primeiro já fez a si mesmo. Esta lógica é complexa e efetiva. Vale desde a maldade até ao amor.

Não existe forma de se dar algo que não se tem

Quando tentamos nos enganar ou fazer algo no qual estamos nos aviltando, somos de cara os primeiros a sermos impactados. É completamente reversível e implacável este contexto. Por exemplo, antes de atingir de forma covarde uma outra pessoa em um assalto, ceifando uma vida, a pessoa assassina já se matou por dentro antes daquele momento trágico.

Para se fazer maldade, o mal precisa habitar em si primeiro. Ninguém gosta de lidar com isto, mas precisamos saber que todos temos coisas difíceis e que precisamos saber endereçar. Então olhar para si e saber gerenciar seus próprios demônios de forma inteligente é uma necessidade imperiosa para quem quer ser feliz e avançar na vida.

Quando falamos em mudanças, não é só na inovação, por exemplo, que precisamos olhar.

É preciso rever hábitos, perspectivas, saber conviver melhor com as diferenças, com a pluralidade, com outras visões e capacidades. Isto transforma e liberta.

É claro que isto não significa concordância com superficialidade, com corpo mole, com pessoas desinteressadas, com não respeitar lideranças, com coisas sem sentido…, mas, saber dar espaço em si para novas possibilidades e realidades.

E se mudamos tecnologias, formatos, estruturas, músicas, carros, hotéis, amigos, relacionamentos, etc….. e aceitamos isto… porque temos dificuldades em aceitar que também existem mudanças em nós, em pessoas, processos, contratos, atividades, coisas que não foram vividas e que precisamos criar ainda respostas e passagens?

Senão permitimos em nós outras possibilidades, novas visões, …que comunguem com o crescimento e evolução que almejamos, seremos eternos clones de nós mesmos, fadados a uma versão caricata e repetitiva de um potencial que não se realizou. 

Não ter respostas não é um problema de per si! Muito menos não saber como fazer!  Se cria e se desenvolve soluções e caminhos para isto. E se cresce muito fazendo dialética, andando com pessoas que possuem maior conhecimento e formação em temas e contextos que ainda precisamos desenvolver, que já lidaram com certas questões, que tem maior abertura para outras possibilidades.

Mas temos que estar abertos e disponíveis para isto. Senão acabamos ouvindo sempre as mesmas músicas das bandas preferidas, o que por si só não seria um problema, desde que não represente e signifique a manutenção de um status quo repetitivo.

Hoje temos acesso e conexão com tudo e todos mas ao mesmo tempo pouco temos conexão conosco mesmo. Buscamos, em geral, respostas superficiais, que atendem apenas necessidades imediatas, mas, não nos permitem, um desenvolver consistente e coerente, baseada na escolha “otimal” dentro da miríade de possibilidades que se descortinam se nos permitimos.

Por outro lado, já em linha de defesa, muitas vezes criamos espaços psicológicos agressivos, tolhendo e reduzindo outras pessoas, encaixotando-as em certas condutas e ações, apenas para manter um jeito de ser embolorado presente na pessoa, sustentado intimamente por frases repetidas como mantras tipo “amo meu jeito e minha liberdade”, “adoro quem sou”, etc.

Nada mais aprisionante e redutivo que isto!

Para além da resistência e paralisia, este comportamento é um enorme problema e uma falta total de sincronia com a realidade dinâmica e mutante em que se vive.

É um jogo que se mal praticado, se perde antes de entrar em campo.

Avançar, então, é inevitável?

Sim, é certo que tudo vai mudando. Agora apenas muda mais rápido. Mas, amanhã vai mudar ainda mais rápido. Então faz parte da nova realidade a transformação. E também é certo que respostas não estarão lá prontas.

É preciso criar escadas, pontes, estradas para que se possa avançar. Em si e nos outros circundantes a sua realidade.

Cobrar o futuro em construção de alguém no presente é uma fraqueza de quem o faz.

O que se deve fazer nestes casos é checar se há empenho das pessoas conexas para gerar soluções e ao mesmo tempo, validarmos se quem está pedindo, demandando, está se colocando do lado da solução ou só tentando fazer um ponto, uma imposição de um passado já não mais funcional.

Ou seja, dar espaço estrutural, relativizar medos e ansiedades, colocar o jogo em marcha e não implodir durante os eventuais insucessos os caminhos que se formam, mesmo que ainda frágeis, para, depois, ver o que e quem sobra, para então, talvez, continuar.

Um exemplo prático disto se dá quando alguém se posiciona agressivo junto a uma pessoa ou com alguém próximo a esta para, tipo, mandar recado. A primeira percepção intuitiva que vem, em geral não verbalizada, costuma ser “huuum – a pessoa não está sabendo lidar com o novo em si e está usando imposição para tentar validar alguma coisa“.

E esta percepção externa é absolutamente real, reflete o modus operandi de muitas pessoas em certas situações. Não deixam o novo vir em si e muito menos em quem está por perto. ☹

Nestes casos, basta primeiro perguntar “qual o ponto objetivo?” ,”o que está pegando?”. Em geral a pessoa não consegue ser objetiva e nem formalizar o contexto. E assim o sendo, você já sabe que é apenas necessidade de adaptação ao novo ou resistência pura e simples e, portanto, a maneira de lidar nestes casos é focar no que interessa e não dar espaço para algo que saia da estrada pensada ou a ser construída.

Fazendo isto, as pontes se estabelecem e as respostas convergem. 1+1 passa a ser 3 ou mais figurativamente e todos conseguem evoluir e ganhar. Evidências e indicadores aqui são os sorrisos, a leveza, a alegria, o espírito de equipe, a percepção e sensação de felicidade e completude, o bem-estar, realizações, resultados, etc.

Me refiro aqui a algo que transcende as coisas bacanas que percebemos ao fazermos estas construções. Há uma grandiosa e efusiva efetividade gerada pelas conquistas e vitórias, há a beleza do fazer valer e acontecer, em sentir a felicidade, em realizar, em viver cada uma destas jornadas.

Na vida, nos relacionamentos e/ou nos negócios, se permitir o novo, seja nos outros ou em si, é sempre sinal de maturidade e de grandeza de encarar a vida e suas vicissitudes. E isto nos constrói, de uma forma que no presente vivido nem sequer conseguimos imaginar toda a extensão e bem-estar que nos gerará em nosso futuro a ser vivido.

Quem vive as incertezas tem chance de algo maior brotar em si mas, quem vive as certezas, está confinado àquela realidade, por melhor que ela possa parecer.

Não se perde ou se deixa de ser quem se é para isto, mas, se cria espaço em si para o novo nos outros, o novo em si, o novo na vida e se este for positivo e real, nos fará ainda maiores e melhores. E assim de novo, e o novo de novo, e novo novamente.

Viver e não ter vergonha de ser feliz.
Saber, fazer e ter orgulho de ser.
Perceber que pessoas são sempre o melhor caminho e a solução e não obstáculos.

E se alguém não quer ou não tem este espírito, aí sim, devemos ajudar a gerar novas possibilidades para estes e não mais conectar e nem permitir que estejam nos caminhos que estamos percorrendo. Uma laranja que não está legal às vezes pode atrapalhar bastante nossos planos, mesmo que seu impacto seja potencialmente efêmero e marginal. Temos sempre que cuidar muito porque algumas pessoas, infelizmente, vivem nos espaços deixados pelas dúvidas estabelecidas na jornada de construção daquelas que se propõe mais. A expressão popular “não dá nada” se encaixa bem aqui.

Os que pagam o preço acabam por se fortalecer com estas questões e passam adiante, viram a página 🙂 , “no matter what”.
Por isto pedras rolantes não criam limo e permitem ser, começando por nós mesmos e também junto àqueles que nos fazem mais e melhores, ainda mais preparados para o que queremos construir e viver, seja para si mesmo, seja para aqueles que amamos e que queremos partilhar e vivenciar a espetacular jornada da vida.

De fato, a maior liberdade que se pode ter na vida é não ter que se preocupar com o amanhã, porque você está feliz com o que você fez e conquistou hoje!!!

Vamos juntos!!!

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Cesar Leite

Cesar Leite

Fundador e principal executivo do Grupo Processor, conjunto de empresas focadas em Tecnologia da Informação e Transformação Digital, atuantes no Brasil, América Latina e USA e do qual fazem parte a Processor, a ITSource/GoToBiz, a Proc, App SpotFinder e Portal LiveCloud. Ver perfil completo >>

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 Comentários
  • Rogerio Marks disse:

    Baita reflexão, compartilho especialmente da afirmação a respeito da mudança ser constante, a variável é a velocidade com que ela ocorre e resistir é… Não é sábio. Obrigado Cesar por nos brindar com este artigo. 🙂 1 Abraço.

  • Marcos Nunes disse:

    Isso é uma realidade. Todo mundo quer, mas pouco estão dispostos a pagar o preço do sucesso.
    Show de bola, líder! Forte abraço.

  • Philipe Isolani disse:

    Parabéns pelo artigo. Pura realidade. O que mais se vê é a cobrança para que se faça melhor, diferente e mais inovador. Mas quando são apontados os desafios e obstáculos para fazê-lo, são pouquíssimos os que estão dispostos a seguir. Até mesmo a liderança. Aceitar que todos poderão passar por um sistema de medição, meritocracia e empenho pessoal, deixa muitos desconfortáveis e com receio de serem colocados à prova. Evoluir e evoluir sempre, infelizmente ainda é para poucos. Requer desapego ao passado, humildade para reconhecer que não somos nem seremos os donos da verdade e uma boa dose de coragem!

  • Ótima reflexão César, e assim seguimos tentando quebrar a casa dura que tenta nos fazer ficarmos onde estamos, ser quem somos. Cada esforço feito no sentido de sermos algo maior e melhor só nos leva a melhores caminhos. Obrigado!

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