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A atividade da advocacia vem se deparado com desafios instigantes. Do tradicional Doutor, hoje se verifica a figura de um prestador de serviços ágil, com mentalidade multidisciplinar, que precisa entender do negócio de seu principal parceiro (cliente) tanto quanto este. A entrega de um resultado veloz e eficaz é o que conta, em que se inserem as novas tecnologias, especialmente a inteligência artificial.

Não basta mais saber Direito, Contabilidade e Administração. É necessário saber sobre os avanços tecnológicos e os novos caminhos que eles estão conduzindo. E tudo isso para se fazer uma entrega com qualidade e resultado.

Esta realidade a que os advogados foram obrigados a se adaptar, para se manterem ativos no mercado, prestando seus serviços alinhados aos valores de seus clientes, talvez ainda não tenha sido observada adequadamente em alguns setores profissionais, dentre estes os responsáveis pela educação das novas gerações.

Como exemplo, podemos falar dos futuros profissionais advogados, que continuam sendo educados com premissas e fundamentos do século retrasado. Como exigir destas novas gerações atenção em uma sala de aula expositiva, em um mundo virtual? Como exigir delas que estudem um currículo de Direito formatado em bases muito similares ao que Rui Barbosa estudou? Aprender sobre duplicatas, triplicatas, lei dos cheques, contratos típicos, em um mundo onde as negociações se dão através de criptomoedas e blockchain?

A dura verdade é que os jovens advogados que atualmente se formam, na sua grande maioria, estão saindo das faculdades sem estarem adequadamente preparados para o enfrentamento do mundo que irão encontrar.

Produz-se um profissional altamente técnico (para um mundo onde essa tecnicidade não tem mais utilidade) e focado em “processar” (ou seja, focado em dividir, em mundo onde compartilhar é a regra).

Em realidade, se pensarmos um minuto a mais e tivermos coragem de admitir, somos responsáveis pela educação de uma nova geração de profissionais “analfabetos”, pois estes desconhecem a linguagem do mundo atual. Não se encontrarão respostas juridicamente adequadas às necessidades nos vetustos alfarrábios, e muito menos na jurisprudência, pois esta não traz mais similaridade, já que o mundo passado não mais existe e o mundo atual muda cada vez mais rápido.

É preciso urgentemente uma mudança de mentalidade no ensino atual. Um verdadeiro choque, criando condições de aprendizado para as verdadeiras exigências deste mundo contemporâneo.

E esta resposta não virá do Estado ou das instituições estabelecidas. Essas respostas virão de instituições privadas, preocupadas com o avanço da tecnologia, em prol do ser humano, sabedora de que esse futuro já é passado.

Quem está disposto a se engajar neste desafio?

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Alessandro Spiller

Alessandro Spiller

Advogado, formado pela PUC-RS, especialista em “Teoria Geral do Processo” e também em “Gestão de Negócios”. Ver perfil completo >>

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