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Somos um país desencontrado a espera de um projeto virtuoso de desenvolvimento. Infelizmente, o improviso ainda governa o Brasil. Em um mundo cada vez mais complexo e desafiador, não temos o bom hábito de pensar, esboçar e executar estratégias de longo prazo; ou seja, usamos táticas de sobrevivência e, não, ações planejadas. Assim, vamos indo aos trancos e barrancos, tapando os buracos do cotidiano com a ingenuidade de um otimismo infantil. No fim do dia, somos muito menos do que podemos ser, desperdiçando inúmeras oportunidades de crescimento.

Ora, a vida ensina que colhemos aquilo que plantamos. Quanto ao ponto, a lógica é linear: só quem investe em conhecimento é capaz de colher a independência do progresso. Aqui, não há milagres ou pensamentos mágicos.

O sucesso é uma consequência direta de tentarmos atingir incansavelmente a perfeição. Aqueles que se contentam com o pouco jamais atingirão a plenitude existencial.

Chega, portanto, de discursos conformistas e resignações covardes. Não podemos nos influenciar por pautas medíocres que sistematicamente reduzem o Brasil. Temos que virar a página do atraso, guiando-nos por um projeto de busca da excelência pessoal com decidido engajamento nos desafios da democracia.

O insistente amadorismo institucional brasileiro nos faz meros fantoches nos sofisticados jogos do poder global. Não somos levados a sério pelos pares internacionais porque faltam líderes capazes de nos representar com protagonismo político, visão de mundo e imposição intelectual. Por assim ser, nos acostumamos a ter uma posição subalterna, entregando nossos interesses à decisão alheia. O tempo passa e a subserviência continua. Ao invés de escrevermos a História, não passamos de miúdas notas de rodapé.

Sem cortinas, somos um país pobre porque fazemos insistentes escolhas erradas. Nossa tormentosa realidade é uma consequência direta de decisões tortas e juízos insuficientes.

Em uma época de tantas novidades e neologismos, meu conselho de desenvolvimento é uma velha tríade: seriedade, dedicação e profissionalismo.

Tais predicados são a pedra angular de qualquer projeto político virtuoso, pois governos amadores são fontes perpétuas de corrupção, subversão democrática e pobreza coletiva. No resumo da ópera, o amadorismo governamental é uma condição do sistema de desonestidade pública.

Em tempo, o Brasil desconhece um modelo governamental sério, dedicado e profissional porque nossa estrutura estatal existe para não funcionar bem. Se a máquina pública fosse eficiente, mais da metade dos burocratas de plantão teria que ir para casa, pois são absolutamente redundantes. Então, para justificar o fracasso, cria-se uma engrenagem perversa que consagra a incompetência oficial e pune os que querem produzir honestamente.

Felizmente, o mal não dura para sempre. Cansado de tanto sofrer injustamente, o espírito humano superior construiu a solução: a tecnologia e os instrumentos de inteligência artificial vão varrer do mapa as anacrônicas burocracias estatais. O jogo está jogado. Podemos retardar o fim ou antecipar um novo começo. Eis aí o grande dilema institucional do Brasil presente: entre viver o futuro e pagar as contas do passado, temos que encontrar um caminho possível à luz de uma equação econômica minimamente satisfatória.

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Sebastião Ventura

Sebastião Ventura

Advogado, especialista em Direito do Estado pela Universidade Federal do Rio Grande Sul. Ver perfil completo >>

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